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Voto de Cabresto

O voto de cabresto é uma expressão popular brasileira que surgiu no início da República, onde os coronéis, valendo-se de seu poder econômico, usavam a repressão, a compra de votos para fazer com que os eleitores votassem nos candidatos que eles apoiavam.

Como o voto era aberto, os coronéis asseguravam todo um “curral eleitoral” composto por pessoas que viviam sob seu domínio nesse aspecto, amedrontadas com ameaças e até violência. No dia da eleição elas eram fiscalizadas por capangas que asseguravam o cumprimento das ordens dos coronéis.

Voto de Cabresto, Política dos Governadores e República Velha

Presente no Brasil durante toda a República Velha, a Política dos Governadores foi um sistema político ilegal instituído no mandato do presidente Campos Sales (1898 – 1902) que funcionava à base de troca de favores entre políticos – o então presidente da época e os os governadores dos estados.

O presidente não se intrometia nos governos dos estados e garantia o apoio da grande massa dos governadores estaduais que influenciavam congressistas de suas bases a apoiarem e votarem positivamente nos projetos apresentados pelo poder executivo. O presidente “fingia que não via” corrupção, ilegalidades e má administração por parte destes governadores. O “voto de cabresto” nesse período consistia em fraudes eleitorais e compra de votos. 

Para que o sistema continuasse funcionando, uma Comissão Verificadora dos Poderes comandada por um político de confiança do presidente da República era encarregada de verificar a legitimidade do resultado das eleições de deputados e senadores. Quando os políticos da oposição ganhavam, eram simplesmente impedidos de assumir o mandato porque a Comissão considerava a eleição inválida – era a chamada “degola” dos opositores.

A Política dos Governadores só acabou quando Getúlio Vargas chegou ao poder com a Revolução de 1930.

Voto de Cabresto e Curral Eleitoral

Através do voto de cabresto assegurava-se um curral eleitoral ou reduto (local, bairro, cidade) onde o político conquistava a grande maioria dos votos.

O Voto de Cabresto Hoje – Compra de Votos

Traço ainda muito marcante na atualidade, o voto de cabresto ainda existe e pode ser definido como uma fraude eleitoral de caráter psicológico, já que não há mais possibilidades de fiscalização individual de votos.

Apesar do sistema de votação ser secreto, muitas pessoas se sentem obrigadas a votar em certos candidatos que fazem subornos ou, no termo popular, “compram votos”, com dinheiro, cestas básicas, móveis e eletrodomésticos, botijões de gás e até serviços de saúde, por exemplo.

Há ainda as falsas notícias que são espalhadas por determinado grupo político que amedrontam a população, que acha que deixando de votar em um certo candidato deixará de ter certos benefícios. Nas comunidades mais pobres, a ação da milícia também impõe ou proíbe o voto a certos candidatos. Se suas ordens não forem cumpridas, a população deixa de ser protegida e até mortes podem ocorrer.

Atualizado em: 23/05/2018 na categoria: Politica